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Cobertura verde

Pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP criaram uma Cobertura Verde Leve (CVL) para edificações que usa materiais de baixo impacto ambiental, como a resina de mamona. A cobertura melhora o comportamento térmico das construções, agindo como elemento de aquecimento no inverno e de resfriamento no verão.

Segundo o presidente do SindusCon-SP, caso se confirme, o aumento de 6,8% em 2004 deverá recuperar o setor da queda de 5,2%, registrada em 2003. "Mesmo assim, essa recuperação ainda não chegou à grande maioria das pequenas e médias construtoras, especialmente nos grandes centros urbanos do Sudeste e do Centro-Oeste, onde o IBGE identificou queda no produto da construção no terceiro trimestre deste ano. No município de São Paulo, por exemplo, o nível de emprego na construção cresceu apenas 1%, de janeiro a setembro", disse Robusti.

"Em cima do forro da construção, que pode ser uma laje treliçada cerâmica, por exemplo, é aplicada uma camada de impermeabilizante à base de resina de mamona (Ricinus communis)", relata o professor da EESC, Francisco Vecchia, que coordenou a pesquisa. "A resina tem o mesmo desempenho técnico dos impermeabilizantes comuns, é feita a partir de um recurso renovável e não provoca prejuízos à saúde."

Sobre o impermeabilizante é colocada uma geomanta com estrutura plástica que drena e conduz água com rápido escoamento. Por fim, uma camada de 8 a 10 centímetros de terra comum ou vegetal serve de substrato para o plantio de espécies vegetais na cobertura. "A pesquisa indica ser mais vantajoso o uso da grama-amendoim (Arachis repens)", aponta Vecchia. "Esta planta extrai nitrogênio do ar, fixando-o no solo, por isso esse tipo de cobertura vegetal necessita de menos substrato, regas e adubação".

O uso desse sistema em várias casas e edifícios podiria também evitar a formação de ilhas de calor urbano, comuns nas grandes cidades.

Segundo o professor, os componentes da CVL fazem com que ela retarde o escoamento superficial das águas de chuvas (run off), cuja vazão acelerada é responsável pela ocorrência de enchentes. "Essa água retida ou atrasada pode ainda ser armazenada em cisternas, nos edifícios, e reutilizada em lavagem de carros, calçadas, regas de jardins, descargas e outras finalidades não potáveis", ressalta.

Conforto

O professor ressalta que a CVL nivela as temperaturas internas nos espaços internos das edificações. "Ela produz um atraso térmico, ou seja, o calor demora mais para entrar durante o dia e para sair à noite", diz. "Enquanto as coberturas tradicionais levam cerca de cinco horas para trocar calor com o ambiente externo, a CVL leva de oito a dez horas".

A cobertura foi testada num dia de calor intenso, em que a maior temperatura externa do ar registrada na estação meteorológica foi de 34°C (graus Celsius). "Nesse momento, a superfície interna da CVL registrava cerca 26,7°C, mantendo a temperatura do ar dentro da construção em 28°", afirma Vecchia.

Durante a madrugada, a menor temperatura do ar externo foi de 12,7°C, enquanto a superfície interna da cobertura registrava 17,5°C e o ar interno 16,2°C. "A temperatura superficial da CVL pode variar entre 17,5°C e 26,7°C , enquanto em outros sistemas de cobertura pode oscilar entre 9°C e 51°C, especialmente se o projeto do telhado não levar em conta os processos de trocas térmicas".

A CVL pode dispensar a instalação de ar-condicionado dentro das edificações, reduzindo o consumo de energia elétrica. "O uso desse sistema em várias casas e edifícios poderia também evitar a formação de ilhas de calor urbano, comuns nas grandes cidades", garante Vecchia.

O impermeabilizante à base de resina de mamona foi desenvolvido pela equipe do professor Gilberto Chierice, do Instituto de Química de São Carlos (IQSC). A aplicação na construção civil foi pesquisada pelo professor Osny Ferreira, da EESC.

Fonte: Agência USP

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