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No dia em que o IPCC reforça a gravidade da crise climática global, o Greenpeace apresenta uma proposta prática de matriz elétrica sustentável para o Brasil. O relatório "Revolução Energética - Brasil", lançado na semana passada em São Paulo, conclui que é possível assegurar o crescimento econômico do país até 2050, eliminando as fontes sujas - como óleo, carvão e nuclear - da matriz elétrica brasileira e estruturando o setor em torno da conservação de energia, investimentos e políticas públicas de apoio a energias renováveis como eólica e biomassa.
Como parte do lançamento do relatório, o Greenpeace instalou painéis solares fotovoltaicos que devem atender até 50% da demanda de eletricidade de sua sede em São Paulo.
Os dados integram o capítulo brasileiro de um estudo global encomendado pelo Greenpeace e pela Comissão Européia de Energia Renovável (EREC) ao Centro Aeroespacial da Alemanha (DLR), um dos mais conceituados institutos de pesquisa na área de cenários energéticos.
No Brasil, O Greenpeace fechou parceria com o GEPEA (Grupo de Engenharia de Energia e Automação de Elétricas/ POLI - USP) para aplicar o software e projetar os cenários de geração de eletricidade para o país. Resultado de modelagens por computador, o relatório apresenta cenários futuros para a geração e distribuição de eletricidade no Brasil até 2050, com base em avaliações de aumento populacional, crescimento do PIB e fontes e tecnologias de energia disponíveis.
O Cenário de Referência foi projetado a partir de dados da Empresa de Planejamento Energético (EPE), órgão ligado ao Ministério de Minas e Energia. Já o Cenário de Revolução Energética atendeu aos princípios do Greenpeace para uma matriz limpa e sustentável.
Em 2005, ano base do estudo, a matriz elétrica brasileira era composta da seguinte forma: 84% hidrelétrica, 4% biomassa, 4% gás natural, 4% diesel e óleo combustível, 3% nuclear e 1% carvão. Para 2050, a receita da Revolução Energética exclui a geração de eletricidade a partir de óleo combustível, carvão e nuclear. Assim, no cenário de Revolução Energética, a matriz elétrica brasileira fica dividida em: 38% hidrelétrica, 26% biomassa, 20% eólica, 12% gás natural e 4% solar fotovoltaica. A ênfase em medidas de eficiência energética resulta na economia de 413 TWh/ano (Terawatt hora por ano), o equivalente à capacidade de geração de mais de 4 usinas como Itaipu.
Já em termos de custos de eletricidade, entre 2010 e 2040 há uma adequação do mercado. A diferença de preços entre os combustíveis fósseis e as fontes renováveis é reduzida gradualmente, principalmente devido aos custos adicionais das emissões de CO2. No Cenário de Referência, que prevê participação significativa de combustíveis fósseis na matriz e uma demanda crescente, os custos de suprimento de eletricidade chegam a R$ 530 bilhões por ano em 2050. Já o Cenário de Revolução Energética reduz esses custos para cerca de R$ 350 bilhões por ano, graças a investimentos da ordem de R$ 70 bilhões por ano em medidas de eficiência energética. A economia final proporcionada pela matriz elétrica sustentável e eficiente chega a R$ 110 bilhões por ano. "A academia tem condições de apoiar o desenvolvimento do mercado brasileiro de energias renováveis modernas. O que é fundamental são os investimentos do setor privado e políticas públicas agressivas", disse André Gimenes, pesquisador - doutor que coordenou o trabalho no GEPEA/USP.
Resultados do estudo global indicam que, sob o Cenário de Revolução Energética, a demanda mundial de energia pode ser reduzida em até 47% em 2050, com forte ênfase em medidas de eficiência energética. O setor de eletricidade será o pioneiro na utilização em larga escala de energia renovável. Em 2050, cerca de 70% da eletricidade global será produzida a partir de fontes renováveis. Uma capacidade instalada de 7.100 GW produzirá 21.400 TWh/ano de eletricidade em 2050. No setor de aquecimento, a contribuição das renováveis pode chegar a 65% até 2050. Os combustíveis fósseis serão substituídos por tecnologias mais modernas, particularmente biomassa, coletores solares e geotérmicos.